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terça-feira, 3 de julho de 2012

Troque um hábito ruim por um bom

Um artigo interessante foi publicado na Revista Galileu, de junho de 2012. A chamada de capa era "troque um hábito ruim por um bom". Ele me fez pensar que, numa época em que reinventar a rotina e temas como qualidade de vida, motivação e criatividade são constantemente debatidos, a reavalição de nossos hábitos culturais continua estagnado.
Assim como fomos treinados para trabalhar e sermos bons profissionais, para atingirmos um igual patamar em nosso tempo livre, precisamos estar constantemente nos atualizando sobre assuntos ligados ao cinema, à música, ao teatro, à dança, enfim, às artes em geral. Difícil? Trabalhoso? Acredito que não. Falta apenas (um pouco de) treinamento. Nunca tivemos este tipo de educação. Não é à toa que, por essa razão, nosso cérebro não esteja programado para perceber a importância de investirmos em nossas horas de lazer. Abaixo reproduzo alguns trechos da matéria escrita por Sílvia Lisboa e, no final, o link para a matéria completa.

"Nos últimos anos, pesquisas vêm mostrando que o caminho para se livrar de um mau costume não é tentar eliminá-lo, mas trocá-lo por um bom. “Se você consegue diagnosticar seus hábitos, pode transformá-los no que quiser”, diz Charles Duhigg, jornalista americano que compilou os mais importantes estudos sobre o tema em seu recente livro The Power of Habit: Why We Do What We Do in Life and Business (O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, ainda sem edição no Brasil).
Pesquisas mostram que não é verdadeira a máxima de que mudamos pouco ao longo da vida. É possível deixar para trás comportamentos que nos incomodam — como assistir à TV até de madrugada, tomar café demais ou enrolar no trabalho. Basta seguir alguns conselhos cientificamente comprovados.

No cérebro, os hábitos formam rotas neuronais bem sedimentadas, feitas justamente para não serem alteradas. “Em teoria, o sistema do hábito está imune à razão e emoção, ocorre de forma independente e é resistente à mudança”, diz Claudio Da Cunha, biólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), líder de uma das pesquisas mais citadas nesse campo.  
Um estudo com 1.024 universitários feito na UFSM mostrou como um hábito ruim, comer demais, se torna inconsciente. Primeiro, os pesquisadores fotografaram e pesaram os pratos dos estudantes no Restaurante Universitário. Seis meses depois, enviaram 4 fotos dos pratos por e-mail para 209 voluntários e pediram para que elegessem um deles.
Dentre os 77 que responderam, a maioria com sobrepeso e obesidade escolheu o mesmo prato de meio ano antes. “Isso mostra como o hábito de comer aquela quantidade e tipo de alimento está tão arraigado que a pessoa não tem mais juízo crítico”, diz Da Cruz, líder da pesquisa. “É por essa razão que a maioria dos regimes não dá certo, pois pressupõe mudança de comportamentos inconscientes.” Um hábito é fruto de um aprendizado. E mudá-lo requer outro aprendizado capaz de promover o nascimento de novos neurônios. Para isso, é preciso mais do que querer" 

Domenico De Masi afirma que a criatividade nasce das diferenças

Em entrevista concedida em julho de 1999 a Roberto D´Ávila, Domenico De Masi fala, entre outras coisas, sobre o efeito da globalização na criatividade.
Em suas reflexões fica claro o papel do "tempo livre" como espaço fundamental para nossa formação tanto pessoal quanto profissional. Se, em muitos casos, nosso trabalho nos força a sermos especialistas, é necessário, cada vez mais, exercitarmos nossa diferenciação quando "não temos nada para fazer". O treinamento para "aprender a filmes menos comerciais", "exercitar o contato com a arte contemporânea", mais do que ampliar os conhecimentos, nos ajuda a sair da rotina e a valorizar nossas folgas. Ouço muito a frase: "quero ir a cinema e ver um filme para não pensar". Esta é uma postura recorrente e que demosntra nossa falta de criatividade em uma das horas mais importantes da vida: a da diversão.
Abaixo reproduzo trecho da entrevista:
"Nessa globalização, nosso modo de pensar vai mudando. Já estamos globalizados em tudo. Nossa visão está globalizada. No mundo todo se vêem as mesmas coisas. Nossa audição também, em todo o mundo se ouve a mesma música. Nosso paladar está globalizado: todo mundo bebe coca-cola, todos comem hambúrguer, Até em Porto Alegre, um dos lugares com a melhor carne do mundo, temos o McDonald’s e todos comem hambúrguer e batatas. Assim como em Nápoles, Paris ou Tóquio.Todos os aeroportos têm o mesmo cheiro, todos os hotéis de uma cadeia, todas as farmácias. 32 milhões de garrafas de coca-cola são vendidas por hora no mundo. 18 milhões de hambúrgueres são consumidos. Assim, essa globalização já está cobrindo todo o planeta. Com tudo isso, a criatividade fica em dificuldades, isso porque a criatividade é baseada nas diferenças. Ela nasce dos desníveis; é como a energia de uma cascata que nasce do desnível entre as áreas alta e a baixa do rio. A criatividade precisa de um desnível"

Guerrilha do tricô estimula a criatividade e a aceitação do imperfeito

A chamada guerrilla knitter, ou "guerrilha do tricô", nasceu nos EUA como uma forma leve de protesto. E hoje ajuda a colorir os locais e monumentos públicos também do outro lado do Atlântico. 
O que pode parecer uma brincadeira na verdade é um movimento político. Verena Kuni, professora de Cultura Visual no Instituto de Educação Artística na Universidade Goethe, em Frankfurt, explica que a guerrilla knitter é uma forma leve de protesto.
"Ela alivia o ambiente", diz Kuni. "Quando as pessoas ficam mais relaxadas e passam a prestar atenção ao que elas veem, podem até achar isso engraçado ou ficarem surpresas num primeiro momento. Mas depois elas começam a perceber que há alternativas para as normas."
A guerrilha de tricô também tem um elemento de enclausuramento, explica Kuni. "As pessoas querem se retirar do mundo real e entrar num mundo onde tudo é mais aconchegante, onde a qualidade realmente importa; um mundo no qual as pessoas verdadeiramente produzam com as próprias mãos", diz ela.
Os guerrilheiros do tricô também aprendem muito sobre velhas técnicas usadas por suas avós. E muito é aprendido sobre o processos de produção, o que pode ter implicações políticas, acrescentou Kuni.
Para os cientistas culturais, essa tendência "faça-você-mesmo" é mais que uma moda passageira. Por trás dos postes, galhos de árvores e bancos de parques cobertos com cachecóis, chapéus ou polainas, há a vontade de se criar com as próprias mãos para produzir algo único e de valor.
"O fato de o produto final não ser perfeito – ter uma parte meio desfiada ou uns pontos tortos – faz com que tenha mais charme", acredita Kuni. Essa aceitação do imperfeito torna mais fácil superar inibições e colocar aquela luva tricotada em casa no parquímetro da esquina.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

A nova fórmula do profissional de sucesso

A revista Isto É, do dia 04/04/2012, edição nº 2212, teve como matéria de capa o tema "A nova fórmula do profissional de sucesso". No texto assinado por Débora Rubin, ela afirma: "Esqueça tudo o que você aprendeu sobre o mercado de trabalho. Estabilidade, benefícios, vestir a camisa da empresa, jornadas intermináveis, hierarquia, promoção, ser chefe. Ainda que tais conceitos estejam arraigados na cabeça do brasileiro – quem nunca ouviu dos pais que ser bem-sucedido era seguir tal cartilha? –, eles fazem parte de um pacote com cheiro de naftalina. O novo profissional, autônomo, colaborativo, versátil, empreendedor, conhecedor de suas próprias vontades e ultraconectado é o que o mercado começa a demandar".
Durante a leitura, não pude deixar de constatar o quanto os profissionais da atualidade precisam conviver com conceitos que até então faziam parte apenas da rotina dos artistas: experiência, instabilidade, criatividade, inovação, superação, jogo de cintura. Mais do que isso, a autora enfatiza que a vivência de cada um é mais importante que o conhecimento especialista. Isto quer dizer que, cada vez mais, a qualidade do seu tempo livre vai afetar seu desenvolvimento profissional. Hoje em dia, acontece justamente o contrário: o excesso de trabalho compromete nosso horário de lazer e acabamos confinados aos programas culturais "para não pensar", às mesmas músicas, aos mesmos restaurantes e prestigiamos apenas aos eventos alardeados na grande mídia (muitas vezes de qualidade duvidosa).
O tempo livre passa a ser algo tão fundamental que ele afeta pelo menos 3 das 8 habilidades mais valorizadas pelos empregadores (veja quadro abaixo): Multicultural, Útil e Inovador, Transdisciplinar. "Quando não se tem nada para fazer", a arte (cinema, literatura, teatro, música etc) nos incita a exercitar a inovação e a criatividade de modo lúdico e prazeroso. É uma oportunidade de nos conhecermos melhor e aos que nos rodeiam. Aprender a apreciá-la não é uma obrigação, mas um direito.



PINA BAUSCH: Considerações sobre a líder e a artista, por Tom Lisboa


“Dancem, dancem, do contrário  estamos perdidos”.
(Pina Bausch)

Uma das condições impostas por Pina Bausch para que Wim Wenders fizesse um filme a seu respeito foi a seguinte: não quero que seja biográfico. De fato, a obra que podemos ver hoje nos cinemas (e em 3D) fala mais sobre o legado desta coreógrafa alemã que marcou a cena da dança mundial do que sua vida privada. No entanto, a vida de Pina está presente em cada cena. Ela construía sua arte a partir da realidade do dia a dia, dos acontecimentos nas ruas e do que via nos países que visitava em suas turnês.
Muito da inspiração vinha também da vivência dos próprios bailarinos. Aliás, é a partir da memória das pessoas que dançaram suas coreografias que boa parte do filme se estrutura. O diretor opta em fazer um documentário com duas linhas de ação. A primeira é visual. Nesta parte assistimos criações individuais dos bailarinos que desenvolveram movimentos para homenagear a coreógrafa. Afinal de contas, como a própria Pina afirmava “para tudo que as palavras não conseguem expressar, existe a dança”. Mas a palavra não fica de lado e é através de depoimentos que podemos averiguar não apenas seu lado criativo, mas o tipo de líder que inspirou os membros de sua companhia por décadas. Entre as declarações de Pina posso citar: “Eu não estou interessada em como eles se movimentam, mas o que os move”; “Dança é mais do que técnica. Nós precisamos esquecer de onde os movimentos vêm. Eles nascem da vida. Quando se cria um novo trabalho, o ponto de partida precisa ser a vida de hoje, não algo pré-existente”. E entre as dos bailarinos: “Ela me ensinou que a fragilidade (física) que eu tenho é meu diferencial, minha força”; “Um dia ela chegou e me disse que eu precisava enlouquecer mais, ou surpreende-la. Ela conseguia ver meus medos e limitações”.
Seu método de trabalho consistia em motivar o elenco, fazer perguntas e estimular as mais diferentes respostas. Eles não sabiam exatamente o que ela queria. “É preciso confiança mútua neste trabalho. Todos precisam ter liberdade, sem nenhuma inibição, de mostrar o que quiser. Se você guarda algo só para você, nada novo vai vir à tona”, acreditava.

Clique aqui e veja o trailer de PINA, de Wim Wenders

domingo, 22 de janeiro de 2012

Freud e a terceira cultura, por Daniel Piza

Comento de vez em quando a proposta da “terceira cultura”, demonstrada em sites como Edge  www.edge.org), que é a de reaproximar a ciência e os conhecimentos propiciados pelas chamadas humanidades (filosofia, sociologia, psicologia, antropologia) e pelas artes e seus críticos. O termo vem do lendário debate entre C.P. Snow e F.R. Leavis nos anos 50, As Duas Culturas, em que foram traçadas as fronteiras entre as duas áreas: a ciência seria cumulativa e criaria melhoras concretas na realidade das pessoas (como a anestesia ou mesmo a maior expectativa de vida atual), as humanidades e as artes não teriam a mesma noção de “progresso” (não se pode dizer que Michelangelo foi inferior ou sabia menos sobre a natureza humana do que Brancusi, digamos) e seriam mais especulativas.

A “terceira cultura” vem gerando ou reforçando diversos produtos, sobretudo livros de neurologistas e biólogos que tentam analisar o comportamento humano do ponto de vista evolucionista (com as descobertas feitas desde Darwin até o Projeto Genoma), nomes como Oliver Sacks, Richard Dawkins, Steven Pinker e António Damásio (que dedicou, entre outros, um livro ao pensamento de Spinoza). Até expressões como “instinto de arte” (“art instinct”) foram criadas para tentar explicar fisiologicamente nossa percepção do que é belo e expressivo. Estudos da linguagem também passaram a ser reivindicados cada vez mais por quem tem familiaridade com escaneamentos cerebrais do que com teorias semióticas e congêneres. É como se o empirismo pudesse tudo.

Méritos e deméritos à parte, o fato é que essa “invasão” da ciência em todos os campos pode dar contribuições muito importantes, mas nem sempre tão importantes quanto eles pensam e, atenção, a tendência é bem menos recente do que eles imaginam. Pense em Freud! Ao contrário da grande maioria dos psicanalistas que o seguiram nos últimos cem anos, doutor Sigmund era médico, um homem da clínica e do laboratório, e sonhava com tempos em que a tecnologia pudesse nos dar mais informações consistentes sobre o funcionamento cerebral. No entanto, é visto como alguém que só tratou da “mente” e não do órgão cerebral, como se não imaginasse que os pensamentos deixassem registro fisiológico.

E onde Freud foi buscar as diretrizes para suas teorias, além do que observava experimentalmente nos pacientes com distúrbios psicológicos a que atendia? Em dramaturgos como Sófocles e Shakespeare e em pensadores como Schopenhauer e Nietzsche. Ou seja, nas artes e humanidades. Em tais criações ele via “insights” geniais sobre o comportamento humano, sobre as contradições da psique, sobre os impulsos sexuais e os estados melancólicos. Para Freud, que comparou o surgimento da psicanálise ao heliocentrismo de Copérnico e ao evolucionismo de Darwin como transformadores da noção do que é o homem e seu lugar na natureza, os gênios das artes e da filosofia eram indispensáveis para a nova ciência. Na atual onda da terceira cultura, nem todos pensam assim. Por isso não pensam melhor.
(fonte: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/freud-e-a-terceira-cultura/)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Air France e a dança

Lindo comercial da Air France é inspirado em coreografia de Manoel Legris. 

Clique aqui para assistir ao comercial.

Clique aqui para assistir parte da coreografia de Manoel Legris. A cena que inspirou o comercial aparece aos 5min 25seg.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Economia Criativa (2)

Desde que se firmou como ideologia dominante nas sociedades contemporâneas globalizadas, a economia dita os modos de pensar e agir, constituindo-se como argamassa para as relações interpessoais e base estruturante para uma ética baseada na concentração, desigualdade, competição, lucro, hierarquia, consumo e espetáculo. Os meios de comunicação de massa, a universidade, a ciência e as artes sucumbem aos ditames da economia de maneira perigosa e preocupante.

Leia na íntegra este interessante artigo de Leonardo Brant clicando aqui.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um sanduíche com a sua cara

Mais um exemplo de como a arte pode surpreender o cliente. Neste caso, não foram aeromoças dançando ao som da música de Lady Gaga e Katy Perry, mas fotografias utilizadas de modo inusitado na rede Burger King. 
A Ogilvy Brasil criou uma ação com altíssimo poder de viralização pra reforçar o conceito “Have it your way” do Burger King. Como todo mundo sabe, os sanduíches Whopper podem ser feitos do jeito do cliente. Ele tira e põe / põe e tira o que quiser na hora do pedido. O vídeo que soltaram na internet mostra a surpresa dos clientes com o nível de personalização a que chegou o pedido deles: com sua própria fotografia na embalagem.
Além do cliente satisfeito, a agência teve outra satisficação: este foi o case mais premiado no festival de Cannes. A ação venceu quatro vezes: levou duas Pratas - em Outdoor e Direct - e dois Bronzes, em Promo&Activation e Media.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Arte na ciência


Se eu não soubesse que Albert Einstein era cientista, pelas suas declarações, pensaria que era artista. O que prova que, independente da profissão, ter espírito de artista muda nossa maneira de ver as coisas. Eis aqui algumas de suas citações que ficaram famosas:
1) Eu não tenho nenhum talento especial. Sou apenas apaixonantemente curioso.
2) A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo.
3) Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento.
4) Uma pessoa que nunca cometeu um erro nunca tentou algo novo.
5) Insanidade: fazer a mesma coisa várias e várias vezes e esperar resultados diferentes.
6) Informação não é conhecimento. A única fonte do conhecimento é a experiência.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cem anos de solidão

No momento estou terminando de ler Cem Anos de Solidão (Editora Record), de Gabriel García Márquez, e encontrei um trecho muito interessante que fala sobre rotina (nas páginas 283 e 284).
"A verdade é que Úrsula se negava a envelhecer mesmo depois de ter perdido a conta de sua idade (...) Ninguém soube ao certo quando começou a perder a vista. Mesmo nos seus últimos anos, quando já não conseguia se levantar da cama, parecia simplesmente que estava vencida pela decrepitude, e ninguém descobriu que estava cega. (...) Não disse a ninguém, pois teria sido reconhecer em público sua inutilidade. Empenhou-se num silencioso aprendizado das distâncias das coisas e das vozes das pessoas, para continuar vendo com a memória quando as sombras da catarata já não permitissem ver com os olhos. Mais tarde haveria de descobrir o auxílio imprevisto dos cheiros, que se definiram nas trevas com uma força muito mais convincente do que os volumes e a cor e a salvaram definitivamente da vergonha e da renúncia. (...) Conheceu com tanta segurança o lugar onde ficava cada coisa, que ela mesma às vezes se esquecia que estava cega. Em certa ocasião, Fernanda alvoroçou a casa porque tinha perdido sua aliança de casamento e Úrsula encontrou-a numa estante do quarto das crianças. Era simples: enquantos os outros andavam descuidadamente por todos os lados, ela os vigiava com seus quatro sentidos para que nunca a apanhassem de surpresa, e depois de algum tempo descobriu que cada membro da família repetia todos os dias, sem perceber, os mesmos trajetos, os mesmos atos, e que quase repetiam as mesmas palavras à mesma hora. Só quando saíam dessa meticulosa rotina corriam o risco de perder alguma coisa. Portanto, quando ouviu Fernanda consternada porque tinha perdido a aliança, Úrsula recordou que a única coisa diferente que havia feito aquele dia tinha sido botar as esteiras das crianças no sol, porque Meme tinha descoberto um percevejo na noite anterior. Como as crianças assistiram à limpeza, Úrsula pensou que Fernanda havia posto a aliança no único lugar onde elas não poderiam alcançar: a estante. Fernanda, por sua vez, procurou-a unicamente nos trajetos de seu itinerário cotidiano, sem saber que a busca das coisas perdidas fica prejudicada pelos hábitos rotineiros, e é por isso que dá tanto trabalho encontrá-las".
Gabriel García Márquez ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Como todo bom escritor, ele transforma nosso olhar e nos ajuda a lidar melhor com as cegueiras do nosso rotineiro cotidiano. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Economia Criativa

No museu-fazenda Inhotim está um bom exemplo do que são as possibilidades da economia criativa
(texto de Gilberto Dimenstein, de 02/08/2010) 

COMUNICADORES, artistas, educadores e acadêmicos se reuniram, no mês passado, em Brumadinho, cidade de 30 mil habitantes no interior de Minas Gerais, para discutir o futuro da transmissão do conhecimento no século 21. A escolha do lugar teve apelo simbólico: apesar de a cidade lembrar o século 19, com carroças puxadas a cavalo e gente conversando na calçada, uma inovação colocou-a nos circuitos culturais mais refinados do mundo, de Londres a Nova York, passando por Paris e Milão.
Durante os debates, o economista Claudio Moura Castro sugeriu instalar ali uma espécie de centro mundial de inovação, atraindo talentos de todo o planeta, cujas palestras seriam transmitidas em tempo real.
Brumadinho provoca tanto a imaginação porque um empresário (Bernardo Paz) transformou uma fazenda no maior museu de arte contemporânea de que se tem notícia, batizado de Inhotim.
Passa-se, em minutos, do século 19 ao 21, ao cruzar as ruas do pacato povoado interiorano até a entrada do museu-fazenda. Está ali um bom exemplo do que significam as possibilidades da economia criativa. O tema é incipiente na agenda dos candidatos, mas nele reside o futuro, a nova forma de trabalharmos, aprendermos e nos comunicarmos.
Graças ao museu, a cidade recebe milhares de turistas. Já se planeja construir um hotel, um clube, um aeroporto e uma faculdade.
Investir em museus ajudou a recuperar o ambiente de modernidade de Londres. No Reino Unido, a preocupação com a perda de empregos industriais levou à criação de um ministério para desenvolver a economia criativa, que inclui cinema, teatro, design, games, moda, software, mercado editorial etc.
O projeto foi levado tão a sério que o currículo escolar foi modificado para estimular a formação de trabalhadores mais criativos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A vida é para compartilhar (2)

Um dos primeiros posts deste blog falava de uma flash mob (mobilização relâmpago) patrocinada pela empresa telefônica T-Mobile, cujo slogan é "a vida é para compartilhar". Nela, pessoas foram convidadas a cantar Hey Jude, dos Beatles, em uma espécie de karaokê improvisado na Trafalgar Square. 

Com o mesmo pensamento, esta empresa organizou, na estação Liverpool Street do metrô de Londres, no dia 15 de janeiro de 2009, uma performance com mais de 350 dançarinos profissionais, que foi capturada por câmeras escondidas enquanto rolava uma movimentação normal no metrô.

Alguns transeuntes até dançaram juntos com os artistas convidados. Uma verdadeira resposta à intenção prevista pela T-Mobile: fazer com que as pessoas dividam coisas inesperadas e maravilhosas com as outras pessoas. Isso sem contar a visibilidade na internet, cujo video já foi visto por mais de 25 milhões de pessoas. 

Clique aqui e veja o video desta flash mob

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Arte na faixa

Recentemente artistas visuais de Curitiba fizeram mais do que criar obras: eles tornaram "visíveis" as faixas de trânsito que a maioria de nós insiste em ignorar no dia-a-dia. Com o lema "Agora que você reparou, atravesse na faixa", a prefeitura da capital paranaense autorizou que fossem feitas interferências em faixas de vários cruzamentos da cidade. 

A diversidade de cores e formas quebraram a monotonia do preto e branco e surpreenderam os transeuntes. Que este exemplo fique como metáfora do que poderíamos fazer para combater o acomodamento de nossas ideias, a repetição mecânica de certos hábitos e a falta de inovação em nossa rotina. Outras informações no site Arte na Faixa  

Deixo aqui também um outro exemplo de Arte na Faixa (que não é de Curitiba, mas cujo resultado me chamou a atenção).

sábado, 13 de novembro de 2010

Transformação e Arte (2)

Vale a pena lembrar também que a TAM, desde alguns anos atrás, chama a atenção de seus clientes para as normas de segurança no vôo com uma estratégia diferenciada: usando filmes de animação.
É praticamente impossível tirarmos os olhos do monitor de video.

Aqui está o link para um dos vários filmes que foram produzidos:
http://www.youtube.com/watch?v=mP8273pxbHw

Transformação e Arte

Um dos primeiros posts deste blog trazia as aeromoças da CEBU Pacific Air fazendo uma demostração das normas de segurança durante o vôo.

Por acaso, eu encontrei no youtube um video de como era o serviço ANTES.

Vale a pena fazer esta "sessão dupla" para compreendermos melhor o tipo de transformação que a arte (no caso a música pop e dança) pode trazer para o nosso cotidiano (seja no trabalho ou durante as horas de lazer).

ANTES http://www.youtube.com/watch?v=XSbUd9QbbDc 
DEPOIS http://www.youtube.com/watch?v=Lqh8e2KYIrU

Claro que toda transformação é sinônimo de muito trabalho. Aqui há um link que mostra os bastidores que possibilitaram esta mudança.
http://www.youtube.com/watch?v=hywfS9zcm08

E como novidade é sempre bem vinda, eu descobri que os comissários também foram treinados para dançar. Aqui está a versão masculina da coreografia. 



VERSÃO MASCULINA
http://www.youtube.com/watch?v=qyJJncQfyIk


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Arte e Mudança

Nos grandes centros do mundo todo as intervenções urbanas ganham cada vez mais espaço, destaque e, acima de tudo, respeito.
Nele Azevedo, uma artista plástica brasileira, levou seu protesto para as escadarias do Gendarmenmarkt, em Berlim. Mil esculturas de gelo, com o formato de homem, foram expostas sob o sol escaldante do verão europeu como forma de chamar a atenção contra o aquecimento global e as mudanças climáticas. Os bonecos gelados derreteram em pouco mais de 30 minutos. “Eu acredito que a arte não pode fazer muito, mas pode tocar o coração das pessoas e talvez possa mudar alguma coisa dessa forma”, comenta Nele Azevedo.
O evento faz parte de uma campanha organizada pela WWF na Alemanha. A organização apresentou hoje um estudo concluindo que as consequências causadas pela rapidez em que as calotas polares estão derretendo são muito mais graves do que anteiormente estimadas.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um labirinto de descobertas

Para incentivar a população londrina a "se perder" pelas ruas de West End e descobrir tudo o que este bairro oferece em entrenimento, gastronomia e lazer, foi construído um grande labirindo na Trafalgar Square. Neste espaço, que na mitologia tinha a intenção de desorientar quem o  percorre, os visitantes que embarcaram nesta aventura puderam descobrir promoções e convites para conhecer os lugares mais escondidos e interessantes de West End. Esta intervenção artística e inusitada, utiliza a metáfora da desorientação de modo muito original. Afinal de contas, quando nos perdemos é inevitável que façamos novas descobertas.


Veja aqui um video sobre este projeto: 
http://tvig.ig.com.br/276881/labirinto-em-plena-trafalgar-square.htm




quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Música pop, dança e uma companhia aérea fazem história

A Cebu Pacific Flight (e qualquer companhia aérea ) sabe que ninguém presta atenção às instruções de segurança antes do vôo. Com a ajuda da música pop (Lady Gaga e Kate Perry) e uma coreografia inspirada, os passageiros aprovaram e aplaudiram a iniciativa. Sem contar que este video postado no youtube vai deixar a empresa ainda mais famosa.

veja o video aqui

A vida é para compartilhar e as FLASH MOBS

LIFE´S FOR SHARING (a vida é para compartilhar). Este é o lema da T-Mobile, empresa de telefonia da Inglaterra. Com o intuito de criar experiências que fossem dignas de ficar na memória, ela utilizou uma forma de expressão artística chamada de "flash mobs" para uma campanha. FLASH MOB significa "MOBilização relâmpago" e consiste em envolver repentinamente um grupo de pessoas em algum tipo de evento. Tudo começou na Trafalgar Squalquer, com a distribuição inusitada de microfones para os transeuntes.... Vejam o que aconteceu, no dia 30 de abril de 2009, clicando no link abaixo.













http://www.youtube.com/watch?v=kHdJR6iUBFM

(Reparou na quantidade de celulares exibidos neste video acima? A T-Mobile tem consciência da importância do celular na sociedade contemporânea. Tudo que é diferente, novo e criativo nós tiramos fotos, filmamos ou ligamos para contar para alguém. A vida é para compartilhar.)