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terça-feira, 3 de julho de 2012

Guerrilha do tricô estimula a criatividade e a aceitação do imperfeito

A chamada guerrilla knitter, ou "guerrilha do tricô", nasceu nos EUA como uma forma leve de protesto. E hoje ajuda a colorir os locais e monumentos públicos também do outro lado do Atlântico. 
O que pode parecer uma brincadeira na verdade é um movimento político. Verena Kuni, professora de Cultura Visual no Instituto de Educação Artística na Universidade Goethe, em Frankfurt, explica que a guerrilla knitter é uma forma leve de protesto.
"Ela alivia o ambiente", diz Kuni. "Quando as pessoas ficam mais relaxadas e passam a prestar atenção ao que elas veem, podem até achar isso engraçado ou ficarem surpresas num primeiro momento. Mas depois elas começam a perceber que há alternativas para as normas."
A guerrilha de tricô também tem um elemento de enclausuramento, explica Kuni. "As pessoas querem se retirar do mundo real e entrar num mundo onde tudo é mais aconchegante, onde a qualidade realmente importa; um mundo no qual as pessoas verdadeiramente produzam com as próprias mãos", diz ela.
Os guerrilheiros do tricô também aprendem muito sobre velhas técnicas usadas por suas avós. E muito é aprendido sobre o processos de produção, o que pode ter implicações políticas, acrescentou Kuni.
Para os cientistas culturais, essa tendência "faça-você-mesmo" é mais que uma moda passageira. Por trás dos postes, galhos de árvores e bancos de parques cobertos com cachecóis, chapéus ou polainas, há a vontade de se criar com as próprias mãos para produzir algo único e de valor.
"O fato de o produto final não ser perfeito – ter uma parte meio desfiada ou uns pontos tortos – faz com que tenha mais charme", acredita Kuni. Essa aceitação do imperfeito torna mais fácil superar inibições e colocar aquela luva tricotada em casa no parquímetro da esquina.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

PINA BAUSCH: Considerações sobre a líder e a artista, por Tom Lisboa


“Dancem, dancem, do contrário  estamos perdidos”.
(Pina Bausch)

Uma das condições impostas por Pina Bausch para que Wim Wenders fizesse um filme a seu respeito foi a seguinte: não quero que seja biográfico. De fato, a obra que podemos ver hoje nos cinemas (e em 3D) fala mais sobre o legado desta coreógrafa alemã que marcou a cena da dança mundial do que sua vida privada. No entanto, a vida de Pina está presente em cada cena. Ela construía sua arte a partir da realidade do dia a dia, dos acontecimentos nas ruas e do que via nos países que visitava em suas turnês.
Muito da inspiração vinha também da vivência dos próprios bailarinos. Aliás, é a partir da memória das pessoas que dançaram suas coreografias que boa parte do filme se estrutura. O diretor opta em fazer um documentário com duas linhas de ação. A primeira é visual. Nesta parte assistimos criações individuais dos bailarinos que desenvolveram movimentos para homenagear a coreógrafa. Afinal de contas, como a própria Pina afirmava “para tudo que as palavras não conseguem expressar, existe a dança”. Mas a palavra não fica de lado e é através de depoimentos que podemos averiguar não apenas seu lado criativo, mas o tipo de líder que inspirou os membros de sua companhia por décadas. Entre as declarações de Pina posso citar: “Eu não estou interessada em como eles se movimentam, mas o que os move”; “Dança é mais do que técnica. Nós precisamos esquecer de onde os movimentos vêm. Eles nascem da vida. Quando se cria um novo trabalho, o ponto de partida precisa ser a vida de hoje, não algo pré-existente”. E entre as dos bailarinos: “Ela me ensinou que a fragilidade (física) que eu tenho é meu diferencial, minha força”; “Um dia ela chegou e me disse que eu precisava enlouquecer mais, ou surpreende-la. Ela conseguia ver meus medos e limitações”.
Seu método de trabalho consistia em motivar o elenco, fazer perguntas e estimular as mais diferentes respostas. Eles não sabiam exatamente o que ela queria. “É preciso confiança mútua neste trabalho. Todos precisam ter liberdade, sem nenhuma inibição, de mostrar o que quiser. Se você guarda algo só para você, nada novo vai vir à tona”, acreditava.

Clique aqui e veja o trailer de PINA, de Wim Wenders

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pagando o café do próximo cliente

É possível inovar até numa ação tão simples como tomar um cafezinho.
 
Com um espaço aconchegante e que transmite conceito de sustentabilidade, o Ekoa Café criou uma série de iniciativas para que seus clientes interajam mais, como os Livros Livres, na qual é possível ler os livros durante a permanência no Café ou levá-los para casa, desde que deixe um no lugar; o Cliente do Mês, em que o cliente que mais frequentou a casa no período é homenageado com uma história sua no mural; e o Café Compartilhado, quando alguém toma um café e deixa outro pago para a próxima pessoa com um bilhete de mensagens positivas, gerando um ciclo de boas vibrações e deliciosos cafés – feitos com grãos orgânicos.

O projeto Café Compartilhado, que surgiu com muita atenção ao lema “gentileza gera gentileza" traz a oportunidade para o cliente deixar um café pago para a próxima pessoa, com um bilhete com mensagens. Segundo Marisa Bussacos, proprietária da casa, “a inspiração do projeto foi baseada em um livro que se passa na República Tcheca. O cliente além de deixar o café pago para o próximo que vier – e que fica anotado na lousa - pode escrever uma mensagem positiva para compartilhar com a pessoa que ver o crédito anotado e quiser utilizá-lo”. “No fim, o que dá mais satisfação para as pessoas é receber bilhetinhos com poesias, letras de música ou palavras de incentivo, algo sempre positivo e muito simpático!”, complementa Marisa. A gentileza é sempre muito bem vinda em todas as ocasiões da vida e o Ekoa quer partilhar isso com cada cliente.

Freud e a terceira cultura, por Daniel Piza

Comento de vez em quando a proposta da “terceira cultura”, demonstrada em sites como Edge  www.edge.org), que é a de reaproximar a ciência e os conhecimentos propiciados pelas chamadas humanidades (filosofia, sociologia, psicologia, antropologia) e pelas artes e seus críticos. O termo vem do lendário debate entre C.P. Snow e F.R. Leavis nos anos 50, As Duas Culturas, em que foram traçadas as fronteiras entre as duas áreas: a ciência seria cumulativa e criaria melhoras concretas na realidade das pessoas (como a anestesia ou mesmo a maior expectativa de vida atual), as humanidades e as artes não teriam a mesma noção de “progresso” (não se pode dizer que Michelangelo foi inferior ou sabia menos sobre a natureza humana do que Brancusi, digamos) e seriam mais especulativas.

A “terceira cultura” vem gerando ou reforçando diversos produtos, sobretudo livros de neurologistas e biólogos que tentam analisar o comportamento humano do ponto de vista evolucionista (com as descobertas feitas desde Darwin até o Projeto Genoma), nomes como Oliver Sacks, Richard Dawkins, Steven Pinker e António Damásio (que dedicou, entre outros, um livro ao pensamento de Spinoza). Até expressões como “instinto de arte” (“art instinct”) foram criadas para tentar explicar fisiologicamente nossa percepção do que é belo e expressivo. Estudos da linguagem também passaram a ser reivindicados cada vez mais por quem tem familiaridade com escaneamentos cerebrais do que com teorias semióticas e congêneres. É como se o empirismo pudesse tudo.

Méritos e deméritos à parte, o fato é que essa “invasão” da ciência em todos os campos pode dar contribuições muito importantes, mas nem sempre tão importantes quanto eles pensam e, atenção, a tendência é bem menos recente do que eles imaginam. Pense em Freud! Ao contrário da grande maioria dos psicanalistas que o seguiram nos últimos cem anos, doutor Sigmund era médico, um homem da clínica e do laboratório, e sonhava com tempos em que a tecnologia pudesse nos dar mais informações consistentes sobre o funcionamento cerebral. No entanto, é visto como alguém que só tratou da “mente” e não do órgão cerebral, como se não imaginasse que os pensamentos deixassem registro fisiológico.

E onde Freud foi buscar as diretrizes para suas teorias, além do que observava experimentalmente nos pacientes com distúrbios psicológicos a que atendia? Em dramaturgos como Sófocles e Shakespeare e em pensadores como Schopenhauer e Nietzsche. Ou seja, nas artes e humanidades. Em tais criações ele via “insights” geniais sobre o comportamento humano, sobre as contradições da psique, sobre os impulsos sexuais e os estados melancólicos. Para Freud, que comparou o surgimento da psicanálise ao heliocentrismo de Copérnico e ao evolucionismo de Darwin como transformadores da noção do que é o homem e seu lugar na natureza, os gênios das artes e da filosofia eram indispensáveis para a nova ciência. Na atual onda da terceira cultura, nem todos pensam assim. Por isso não pensam melhor.
(fonte: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/freud-e-a-terceira-cultura/)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Jardins Suspensos da Babilônia

30 pessoas, 30kg de cal, 75 flores, 15 minutos e 1 documentário. Essa é a estrutura e o resultado da intervenção urbana temporária idealizada pelo artista plástico e fotógrafo Felipe Morozini, naquela que é considerada a obra mais feia de São Paulo, o Minhocão. Com o objetivo de alegrar a paisagem urbana, o “Jardim Suspenso da Babilônia” ganhou forma numa manhã de domingo – dia em que a via é reservada aos pedestres – e já se desfez sob as rodas dos carros e gotas de chuva. Mas o registro da ação feita por Jeorge Simas é permanente e irá participar de um festival de documentários em NY, dedicado a arte de rua.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Quando eu era jovem e inseguro eu dizia aos bailarinos o que fazer

Jiří Kylián nasceu em 1947 em Praga, passou pelo ballet de Stuttgart  e em 1973 começou a trilhar caminho junto à Nederlands Dans Theater. Primeiro como coreógrafo e a partir de 2000, como diretor artístico da companhia. Teve seu talento reconhecido desde muito cedo e é mundialmente reconhecido por sua contribuição à dança contemporânea.

Neste video (em inglês) Jiri compartilha sua forma de criar enquanto podemos ver parte dos ensaios de “Bella Figura”. Deixo aqui uns trechos traduzidos desta entrevista: “A medida que fico mais velho, acho mais difícil chegar no estúdio com ideias pré-concebidas. Procuro criar uma atmosfera na qual todos participem do processo de criação. Dividir a experiência e ter a colaboração dos bailarinos torna a coreografia mais rica, é muito mais divertido e todos acreditam que estamos fazendo algo que vale a pena. Quando eu era jovem e extremamente inseguro eu trazia tudo extremamente planejado de caso e dizia aos bailarinos o que fazer. Isso, é claro, é a maneira mais entediante de criar algo."
Veja outros trabalho de Jiří Kylián na sessão Drops Cultural - Dança.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O que nos mantém jovens é a curiosidade e a disponibilidade.

Artistas são profissionais curiosos por natureza.  Achei a entrevista abaixo muito interessante por nos mostrar a consciência, seriedade e prazer com que um carreira pode ser conduzida.
Irene Ravache recebeu a coluna em seu apartamento, num fim de tarde da semana passada, com taça de espumante na mão. O rótulo é da vinícola Campos de Cima, orgulhosamente apresentado pela atriz como do ramo gaúcho de sua família. O ato, aliás, é simbólico. A atriz carioca ainda brinda pelo ano que lhe ofereceu uma das personagens mais populares de sua carreira, a Clô Souza e Silva da novela Passione, da TV Globo. Os críticos da APCA também endossaram seu desempenho, apontando-a como a melhor atriz de TV de 2010. “Foi, de fato, um ano incrível”, suspira, enquanto plaina pela sala de estar, minimalista como sua dona, que usa poucas joias, maquiagem discreta e salto baixo.
CONFIRA a entrevista na íntegra clicando aqui

terça-feira, 30 de agosto de 2011

SOUL KITCHEN

Uma câmera + um(a) cantor(a) + um instrumento musical = resultado impressionante!
Feito com pouquíssimos recursos, os videos desta série surpreendem pela qualidade musical e seleção eclética de seus convidados.
Confira abaixo alguns links e acrescente alguns novos cantores na sua playlist. Com certeza a maioria deles não é tão divulgada por aqui. Mas deveriam...
Caro Emerald
Hindi Zahra 
Melissa Nkonda  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Renovando o prazer de trabalhar junto

Trecho da entrevista com o grupo STOMP, publicada na Revista da Fundação Cultural de Curitiba, em Agosto/2010. 
"Todo show é ensaiado ou há improvisação?
Cada show é novo e diferente. Existe uma estrutura que é seguida, mas temos espaço para a improvisação. Muitos dos artistas estão envolvidos com o grupo há oito anos ou mais. Eles se mantêm no show por tanto tempo porque toda noite, quando começamos, não sabemos ao certo o que vai acontecer."
A resposta acima é de Donisha Brown, um dos integrantes deste grupo inglês. Apesar de concisa, levanta várias questões interessantes para o nosso dia-a-dia: Como está minha capacidade de improvisação dentro e fora do trabalho? Estou oferecendo oportunidades para que algo novo surja dentro da empresa? Ou será que estou apenas ligado no "piloto automático"?  
Para conhecer um pouco mais sobre o STOMP, um grupo que é referência quando o assunto é criatividade e inovação, acesse este link no Youtube.
http://www.youtube.com/watch?v=US7c9ASVfNc 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vik Muniz e o direito à cultura

A grande crise de relevância que a arte contemporânea atravessa hoje em dia não é por falta de público, cultura ou interesse; é pelo preconceito conservador e paranóico de pessoas que vêem a cultura como um privilégio, e não como um direito. (entrevista concedida a Luciano Trigo)

Vik Muniz fala sobre maturidade profissional

Depois de mais de 20 anos de carreira, eu vejo a coisa mais ou menos assim: quando o artista é jovem, ele possui uma necessidade imensa de mostrar para o mundo quem ele é, seu intelecto, sua cultura, criatividade, talento e destreza manual. O artista jovem quer mostrar ao mundo que, em meio a tantos outros artistas jovens, ele é o melhor, um candidato a um lugar de destaque na história e na memória popular. À medida que o tempo vai passando, e este artista jovem vai testando seus talentos com certo sucesso em meio a um publico especializado, ele começa a entender que mesmo um grande cérebro é sempre um grande “um”, e que o segredo da continuidade evolutiva de seu trabalho reside em uma aprendizagem fria e desapegada de como analisar a opinião publica. Para mim esse momento marca a minha maturidade intelectual; saber que estou sempre fazendo a metade do trabalho, e que o resto quem faz é o publico. Reconhecer isso requer uma certa humildade, que os jovens não possuem. A partir dai você começa escutar o mundo à sua volta, as conversas no quiosque, as crianças, seus assistentes, os colecionadores, os guardas do museu. Ao contrario de antes, o mundo passa a refletir o seu trabalho. Isso gera uma satisfação indescritível e uma responsabilidade avassaladora. É desse momento, quando qualquer pessoa pode entrar em seu estúdio e fazer algo que você faz, é dessa vulnerabilidade que eu tiro proveito para tecer conceitos mais sutis, mais independentes. Eu não consigo mais me enganar com a ideia que ninguém é capaz de fazer o que faço, mas sei ter sido o único capaz de ter feito o que fiz na mesma ordem e proporção. (entrevista concedida a Luciano Trigo)

segunda-feira, 21 de março de 2011

caminhando por aí

Esta foto foi feita em Curitiba. O trabalho esta exposto perto do Shopping Crystal.
Acho muito interessantes estas intervenções anônimas e não autorizadas que transformam uma ação rotineira (atravessar a rua) em uma nova experiência.
Inovação quase sempre acontece quando a poesia encontra um pouco de rebeldia.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mudando a realidade

O artista belga Ben Heine usa desenhos feitos a lápis sobre papel branco para brincar e interferir na realidade estampada em fotos. Os desenhos se encaixam sobre as imagens das fotos, criando novas realidades a partir das imagens originais. Para ele, o método “é uma maneira excitante de expressão, já que não tem limite”. “Tudo é possível, e a única fronteira é a minha própria percepção do mundo”, comenta.
Que tal experimentarmos isso no dia-a-dia? Não precisa nem de câmera, papel ou lápis. Atitudes já são suficientes.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cem anos de solidão

No momento estou terminando de ler Cem Anos de Solidão (Editora Record), de Gabriel García Márquez, e encontrei um trecho muito interessante que fala sobre rotina (nas páginas 283 e 284).
"A verdade é que Úrsula se negava a envelhecer mesmo depois de ter perdido a conta de sua idade (...) Ninguém soube ao certo quando começou a perder a vista. Mesmo nos seus últimos anos, quando já não conseguia se levantar da cama, parecia simplesmente que estava vencida pela decrepitude, e ninguém descobriu que estava cega. (...) Não disse a ninguém, pois teria sido reconhecer em público sua inutilidade. Empenhou-se num silencioso aprendizado das distâncias das coisas e das vozes das pessoas, para continuar vendo com a memória quando as sombras da catarata já não permitissem ver com os olhos. Mais tarde haveria de descobrir o auxílio imprevisto dos cheiros, que se definiram nas trevas com uma força muito mais convincente do que os volumes e a cor e a salvaram definitivamente da vergonha e da renúncia. (...) Conheceu com tanta segurança o lugar onde ficava cada coisa, que ela mesma às vezes se esquecia que estava cega. Em certa ocasião, Fernanda alvoroçou a casa porque tinha perdido sua aliança de casamento e Úrsula encontrou-a numa estante do quarto das crianças. Era simples: enquantos os outros andavam descuidadamente por todos os lados, ela os vigiava com seus quatro sentidos para que nunca a apanhassem de surpresa, e depois de algum tempo descobriu que cada membro da família repetia todos os dias, sem perceber, os mesmos trajetos, os mesmos atos, e que quase repetiam as mesmas palavras à mesma hora. Só quando saíam dessa meticulosa rotina corriam o risco de perder alguma coisa. Portanto, quando ouviu Fernanda consternada porque tinha perdido a aliança, Úrsula recordou que a única coisa diferente que havia feito aquele dia tinha sido botar as esteiras das crianças no sol, porque Meme tinha descoberto um percevejo na noite anterior. Como as crianças assistiram à limpeza, Úrsula pensou que Fernanda havia posto a aliança no único lugar onde elas não poderiam alcançar: a estante. Fernanda, por sua vez, procurou-a unicamente nos trajetos de seu itinerário cotidiano, sem saber que a busca das coisas perdidas fica prejudicada pelos hábitos rotineiros, e é por isso que dá tanto trabalho encontrá-las".
Gabriel García Márquez ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Como todo bom escritor, ele transforma nosso olhar e nos ajuda a lidar melhor com as cegueiras do nosso rotineiro cotidiano. 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Se o cliente não vem até você...

O Teatro Kunyn nasceu do encontro entre os atores Ronaldo Serruya, Paulo Arcuri, Ivan Kraut, Daniel Viana e Luiz Gustavo Jahjah e do diretor Luiz Fernando Marques para realizar uma pesquisa sobre a questão de gênero no Brasil.  A peça é feita em espaço alternativo em salas de prédios históricos ou em salas de apartamentos, com os donos da casa responsabilizando-se pela formação da pláteia. Uma peça intimista e emocionante que fala, sobretudo, da condição humana. Seu último espetáculo, "Dizer e não pedir segredo", é representante de uma tendência conhecida como "teatro delivery".
Existem pelo menos mais dois espetáculos neste estilo no Brasil: os monólogos de humor de Raul de Orofino, ator carioca que em 1990 passou a atuar em residências por falta de verba para alugar espaços para se apresentar, e o grupo paulistano Teatro Delivery, que encena desde 2008 o espetáculo "Cartas de Amor".
Para conhecer mais sobre esta iniciativa, procure a revista Bravo! de janeiro 2011 (a que tem Amy Winehouse na capa) ou clique neste link para ler uma matéria do jornal O Estado de São Paulo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Profissional em processo

O post de hoje tem dupla função: divulgar o (ótimo) trabalho da cantora Roberta Sá e sua postura profissonal. No video abaixo, acho muito interessante a maneira como ela vem administrando sua carreira. Duas declarações me chamaram mais a atenção. A primeira é sua preocupação com o repertório. Apesar de também ser compositora, ela é a primeira a questionar a presença de uma música de sua autoria em um CD. O importante, segundo seu ponto de vista, é "ter a ver" com o objetivo a ser alcançado com determinado trabalho. Por fim, me interessa muito a postura (positivamente inconformista) de não achar que "chegou lá", que já é a "cantora que ela queria ser". De acordo com suas próprias palavras: "Acho que você não pode chegar em um lugar e falar agora eu cheguei. Senão, o que que tem mais, não é?"
Clique aqui e veja o video 

Se estiver com um tempo livre, aproveite para ver este video da música "Belo Estranho Dia de Amanhã" 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Economia Criativa

No museu-fazenda Inhotim está um bom exemplo do que são as possibilidades da economia criativa
(texto de Gilberto Dimenstein, de 02/08/2010) 

COMUNICADORES, artistas, educadores e acadêmicos se reuniram, no mês passado, em Brumadinho, cidade de 30 mil habitantes no interior de Minas Gerais, para discutir o futuro da transmissão do conhecimento no século 21. A escolha do lugar teve apelo simbólico: apesar de a cidade lembrar o século 19, com carroças puxadas a cavalo e gente conversando na calçada, uma inovação colocou-a nos circuitos culturais mais refinados do mundo, de Londres a Nova York, passando por Paris e Milão.
Durante os debates, o economista Claudio Moura Castro sugeriu instalar ali uma espécie de centro mundial de inovação, atraindo talentos de todo o planeta, cujas palestras seriam transmitidas em tempo real.
Brumadinho provoca tanto a imaginação porque um empresário (Bernardo Paz) transformou uma fazenda no maior museu de arte contemporânea de que se tem notícia, batizado de Inhotim.
Passa-se, em minutos, do século 19 ao 21, ao cruzar as ruas do pacato povoado interiorano até a entrada do museu-fazenda. Está ali um bom exemplo do que significam as possibilidades da economia criativa. O tema é incipiente na agenda dos candidatos, mas nele reside o futuro, a nova forma de trabalharmos, aprendermos e nos comunicarmos.
Graças ao museu, a cidade recebe milhares de turistas. Já se planeja construir um hotel, um clube, um aeroporto e uma faculdade.
Investir em museus ajudou a recuperar o ambiente de modernidade de Londres. No Reino Unido, a preocupação com a perda de empregos industriais levou à criação de um ministério para desenvolver a economia criativa, que inclui cinema, teatro, design, games, moda, software, mercado editorial etc.
O projeto foi levado tão a sério que o currículo escolar foi modificado para estimular a formação de trabalhadores mais criativos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Escritora fala sobre as limitações da "história única"

Nossas vidas, nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas. A romancista Chimamanda Adichie adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico.

Esta talvez seja a melhor mensagem de final de ano que eu gostaria de compartilhar com os leitores deste blog.  São reflexões para nossa vida pessoal, profissional, enfim, para nossa existência como um todo.

Clique aqui
e assista ao video.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Arte na faixa

Recentemente artistas visuais de Curitiba fizeram mais do que criar obras: eles tornaram "visíveis" as faixas de trânsito que a maioria de nós insiste em ignorar no dia-a-dia. Com o lema "Agora que você reparou, atravesse na faixa", a prefeitura da capital paranaense autorizou que fossem feitas interferências em faixas de vários cruzamentos da cidade. 

A diversidade de cores e formas quebraram a monotonia do preto e branco e surpreenderam os transeuntes. Que este exemplo fique como metáfora do que poderíamos fazer para combater o acomodamento de nossas ideias, a repetição mecânica de certos hábitos e a falta de inovação em nossa rotina. Outras informações no site Arte na Faixa  

Deixo aqui também um outro exemplo de Arte na Faixa (que não é de Curitiba, mas cujo resultado me chamou a atenção).

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Arte e Mudança

Nos grandes centros do mundo todo as intervenções urbanas ganham cada vez mais espaço, destaque e, acima de tudo, respeito.
Nele Azevedo, uma artista plástica brasileira, levou seu protesto para as escadarias do Gendarmenmarkt, em Berlim. Mil esculturas de gelo, com o formato de homem, foram expostas sob o sol escaldante do verão europeu como forma de chamar a atenção contra o aquecimento global e as mudanças climáticas. Os bonecos gelados derreteram em pouco mais de 30 minutos. “Eu acredito que a arte não pode fazer muito, mas pode tocar o coração das pessoas e talvez possa mudar alguma coisa dessa forma”, comenta Nele Azevedo.
O evento faz parte de uma campanha organizada pela WWF na Alemanha. A organização apresentou hoje um estudo concluindo que as consequências causadas pela rapidez em que as calotas polares estão derretendo são muito mais graves do que anteiormente estimadas.