terça-feira, 3 de julho de 2012

Troque um hábito ruim por um bom

Um artigo interessante foi publicado na Revista Galileu, de junho de 2012. A chamada de capa era "troque um hábito ruim por um bom". Ele me fez pensar que, numa época em que reinventar a rotina e temas como qualidade de vida, motivação e criatividade são constantemente debatidos, a reavalição de nossos hábitos culturais continua estagnado.
Assim como fomos treinados para trabalhar e sermos bons profissionais, para atingirmos um igual patamar em nosso tempo livre, precisamos estar constantemente nos atualizando sobre assuntos ligados ao cinema, à música, ao teatro, à dança, enfim, às artes em geral. Difícil? Trabalhoso? Acredito que não. Falta apenas (um pouco de) treinamento. Nunca tivemos este tipo de educação. Não é à toa que, por essa razão, nosso cérebro não esteja programado para perceber a importância de investirmos em nossas horas de lazer. Abaixo reproduzo alguns trechos da matéria escrita por Sílvia Lisboa e, no final, o link para a matéria completa.

"Nos últimos anos, pesquisas vêm mostrando que o caminho para se livrar de um mau costume não é tentar eliminá-lo, mas trocá-lo por um bom. “Se você consegue diagnosticar seus hábitos, pode transformá-los no que quiser”, diz Charles Duhigg, jornalista americano que compilou os mais importantes estudos sobre o tema em seu recente livro The Power of Habit: Why We Do What We Do in Life and Business (O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios, ainda sem edição no Brasil).
Pesquisas mostram que não é verdadeira a máxima de que mudamos pouco ao longo da vida. É possível deixar para trás comportamentos que nos incomodam — como assistir à TV até de madrugada, tomar café demais ou enrolar no trabalho. Basta seguir alguns conselhos cientificamente comprovados.

No cérebro, os hábitos formam rotas neuronais bem sedimentadas, feitas justamente para não serem alteradas. “Em teoria, o sistema do hábito está imune à razão e emoção, ocorre de forma independente e é resistente à mudança”, diz Claudio Da Cunha, biólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), líder de uma das pesquisas mais citadas nesse campo.  
Um estudo com 1.024 universitários feito na UFSM mostrou como um hábito ruim, comer demais, se torna inconsciente. Primeiro, os pesquisadores fotografaram e pesaram os pratos dos estudantes no Restaurante Universitário. Seis meses depois, enviaram 4 fotos dos pratos por e-mail para 209 voluntários e pediram para que elegessem um deles.
Dentre os 77 que responderam, a maioria com sobrepeso e obesidade escolheu o mesmo prato de meio ano antes. “Isso mostra como o hábito de comer aquela quantidade e tipo de alimento está tão arraigado que a pessoa não tem mais juízo crítico”, diz Da Cruz, líder da pesquisa. “É por essa razão que a maioria dos regimes não dá certo, pois pressupõe mudança de comportamentos inconscientes.” Um hábito é fruto de um aprendizado. E mudá-lo requer outro aprendizado capaz de promover o nascimento de novos neurônios. Para isso, é preciso mais do que querer" 

Domenico De Masi afirma que a criatividade nasce das diferenças

Em entrevista concedida em julho de 1999 a Roberto D´Ávila, Domenico De Masi fala, entre outras coisas, sobre o efeito da globalização na criatividade.
Em suas reflexões fica claro o papel do "tempo livre" como espaço fundamental para nossa formação tanto pessoal quanto profissional. Se, em muitos casos, nosso trabalho nos força a sermos especialistas, é necessário, cada vez mais, exercitarmos nossa diferenciação quando "não temos nada para fazer". O treinamento para "aprender a filmes menos comerciais", "exercitar o contato com a arte contemporânea", mais do que ampliar os conhecimentos, nos ajuda a sair da rotina e a valorizar nossas folgas. Ouço muito a frase: "quero ir a cinema e ver um filme para não pensar". Esta é uma postura recorrente e que demosntra nossa falta de criatividade em uma das horas mais importantes da vida: a da diversão.
Abaixo reproduzo trecho da entrevista:
"Nessa globalização, nosso modo de pensar vai mudando. Já estamos globalizados em tudo. Nossa visão está globalizada. No mundo todo se vêem as mesmas coisas. Nossa audição também, em todo o mundo se ouve a mesma música. Nosso paladar está globalizado: todo mundo bebe coca-cola, todos comem hambúrguer, Até em Porto Alegre, um dos lugares com a melhor carne do mundo, temos o McDonald’s e todos comem hambúrguer e batatas. Assim como em Nápoles, Paris ou Tóquio.Todos os aeroportos têm o mesmo cheiro, todos os hotéis de uma cadeia, todas as farmácias. 32 milhões de garrafas de coca-cola são vendidas por hora no mundo. 18 milhões de hambúrgueres são consumidos. Assim, essa globalização já está cobrindo todo o planeta. Com tudo isso, a criatividade fica em dificuldades, isso porque a criatividade é baseada nas diferenças. Ela nasce dos desníveis; é como a energia de uma cascata que nasce do desnível entre as áreas alta e a baixa do rio. A criatividade precisa de um desnível"

Guerrilha do tricô estimula a criatividade e a aceitação do imperfeito

A chamada guerrilla knitter, ou "guerrilha do tricô", nasceu nos EUA como uma forma leve de protesto. E hoje ajuda a colorir os locais e monumentos públicos também do outro lado do Atlântico. 
O que pode parecer uma brincadeira na verdade é um movimento político. Verena Kuni, professora de Cultura Visual no Instituto de Educação Artística na Universidade Goethe, em Frankfurt, explica que a guerrilla knitter é uma forma leve de protesto.
"Ela alivia o ambiente", diz Kuni. "Quando as pessoas ficam mais relaxadas e passam a prestar atenção ao que elas veem, podem até achar isso engraçado ou ficarem surpresas num primeiro momento. Mas depois elas começam a perceber que há alternativas para as normas."
A guerrilha de tricô também tem um elemento de enclausuramento, explica Kuni. "As pessoas querem se retirar do mundo real e entrar num mundo onde tudo é mais aconchegante, onde a qualidade realmente importa; um mundo no qual as pessoas verdadeiramente produzam com as próprias mãos", diz ela.
Os guerrilheiros do tricô também aprendem muito sobre velhas técnicas usadas por suas avós. E muito é aprendido sobre o processos de produção, o que pode ter implicações políticas, acrescentou Kuni.
Para os cientistas culturais, essa tendência "faça-você-mesmo" é mais que uma moda passageira. Por trás dos postes, galhos de árvores e bancos de parques cobertos com cachecóis, chapéus ou polainas, há a vontade de se criar com as próprias mãos para produzir algo único e de valor.
"O fato de o produto final não ser perfeito – ter uma parte meio desfiada ou uns pontos tortos – faz com que tenha mais charme", acredita Kuni. Essa aceitação do imperfeito torna mais fácil superar inibições e colocar aquela luva tricotada em casa no parquímetro da esquina.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

A nova fórmula do profissional de sucesso

A revista Isto É, do dia 04/04/2012, edição nº 2212, teve como matéria de capa o tema "A nova fórmula do profissional de sucesso". No texto assinado por Débora Rubin, ela afirma: "Esqueça tudo o que você aprendeu sobre o mercado de trabalho. Estabilidade, benefícios, vestir a camisa da empresa, jornadas intermináveis, hierarquia, promoção, ser chefe. Ainda que tais conceitos estejam arraigados na cabeça do brasileiro – quem nunca ouviu dos pais que ser bem-sucedido era seguir tal cartilha? –, eles fazem parte de um pacote com cheiro de naftalina. O novo profissional, autônomo, colaborativo, versátil, empreendedor, conhecedor de suas próprias vontades e ultraconectado é o que o mercado começa a demandar".
Durante a leitura, não pude deixar de constatar o quanto os profissionais da atualidade precisam conviver com conceitos que até então faziam parte apenas da rotina dos artistas: experiência, instabilidade, criatividade, inovação, superação, jogo de cintura. Mais do que isso, a autora enfatiza que a vivência de cada um é mais importante que o conhecimento especialista. Isto quer dizer que, cada vez mais, a qualidade do seu tempo livre vai afetar seu desenvolvimento profissional. Hoje em dia, acontece justamente o contrário: o excesso de trabalho compromete nosso horário de lazer e acabamos confinados aos programas culturais "para não pensar", às mesmas músicas, aos mesmos restaurantes e prestigiamos apenas aos eventos alardeados na grande mídia (muitas vezes de qualidade duvidosa).
O tempo livre passa a ser algo tão fundamental que ele afeta pelo menos 3 das 8 habilidades mais valorizadas pelos empregadores (veja quadro abaixo): Multicultural, Útil e Inovador, Transdisciplinar. "Quando não se tem nada para fazer", a arte (cinema, literatura, teatro, música etc) nos incita a exercitar a inovação e a criatividade de modo lúdico e prazeroso. É uma oportunidade de nos conhecermos melhor e aos que nos rodeiam. Aprender a apreciá-la não é uma obrigação, mas um direito.



PINA BAUSCH: Considerações sobre a líder e a artista, por Tom Lisboa


“Dancem, dancem, do contrário  estamos perdidos”.
(Pina Bausch)

Uma das condições impostas por Pina Bausch para que Wim Wenders fizesse um filme a seu respeito foi a seguinte: não quero que seja biográfico. De fato, a obra que podemos ver hoje nos cinemas (e em 3D) fala mais sobre o legado desta coreógrafa alemã que marcou a cena da dança mundial do que sua vida privada. No entanto, a vida de Pina está presente em cada cena. Ela construía sua arte a partir da realidade do dia a dia, dos acontecimentos nas ruas e do que via nos países que visitava em suas turnês.
Muito da inspiração vinha também da vivência dos próprios bailarinos. Aliás, é a partir da memória das pessoas que dançaram suas coreografias que boa parte do filme se estrutura. O diretor opta em fazer um documentário com duas linhas de ação. A primeira é visual. Nesta parte assistimos criações individuais dos bailarinos que desenvolveram movimentos para homenagear a coreógrafa. Afinal de contas, como a própria Pina afirmava “para tudo que as palavras não conseguem expressar, existe a dança”. Mas a palavra não fica de lado e é através de depoimentos que podemos averiguar não apenas seu lado criativo, mas o tipo de líder que inspirou os membros de sua companhia por décadas. Entre as declarações de Pina posso citar: “Eu não estou interessada em como eles se movimentam, mas o que os move”; “Dança é mais do que técnica. Nós precisamos esquecer de onde os movimentos vêm. Eles nascem da vida. Quando se cria um novo trabalho, o ponto de partida precisa ser a vida de hoje, não algo pré-existente”. E entre as dos bailarinos: “Ela me ensinou que a fragilidade (física) que eu tenho é meu diferencial, minha força”; “Um dia ela chegou e me disse que eu precisava enlouquecer mais, ou surpreende-la. Ela conseguia ver meus medos e limitações”.
Seu método de trabalho consistia em motivar o elenco, fazer perguntas e estimular as mais diferentes respostas. Eles não sabiam exatamente o que ela queria. “É preciso confiança mútua neste trabalho. Todos precisam ter liberdade, sem nenhuma inibição, de mostrar o que quiser. Se você guarda algo só para você, nada novo vai vir à tona”, acreditava.

Clique aqui e veja o trailer de PINA, de Wim Wenders

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pagando o café do próximo cliente

É possível inovar até numa ação tão simples como tomar um cafezinho.
 
Com um espaço aconchegante e que transmite conceito de sustentabilidade, o Ekoa Café criou uma série de iniciativas para que seus clientes interajam mais, como os Livros Livres, na qual é possível ler os livros durante a permanência no Café ou levá-los para casa, desde que deixe um no lugar; o Cliente do Mês, em que o cliente que mais frequentou a casa no período é homenageado com uma história sua no mural; e o Café Compartilhado, quando alguém toma um café e deixa outro pago para a próxima pessoa com um bilhete de mensagens positivas, gerando um ciclo de boas vibrações e deliciosos cafés – feitos com grãos orgânicos.

O projeto Café Compartilhado, que surgiu com muita atenção ao lema “gentileza gera gentileza" traz a oportunidade para o cliente deixar um café pago para a próxima pessoa, com um bilhete com mensagens. Segundo Marisa Bussacos, proprietária da casa, “a inspiração do projeto foi baseada em um livro que se passa na República Tcheca. O cliente além de deixar o café pago para o próximo que vier – e que fica anotado na lousa - pode escrever uma mensagem positiva para compartilhar com a pessoa que ver o crédito anotado e quiser utilizá-lo”. “No fim, o que dá mais satisfação para as pessoas é receber bilhetinhos com poesias, letras de música ou palavras de incentivo, algo sempre positivo e muito simpático!”, complementa Marisa. A gentileza é sempre muito bem vinda em todas as ocasiões da vida e o Ekoa quer partilhar isso com cada cliente.

Freud e a terceira cultura, por Daniel Piza

Comento de vez em quando a proposta da “terceira cultura”, demonstrada em sites como Edge  www.edge.org), que é a de reaproximar a ciência e os conhecimentos propiciados pelas chamadas humanidades (filosofia, sociologia, psicologia, antropologia) e pelas artes e seus críticos. O termo vem do lendário debate entre C.P. Snow e F.R. Leavis nos anos 50, As Duas Culturas, em que foram traçadas as fronteiras entre as duas áreas: a ciência seria cumulativa e criaria melhoras concretas na realidade das pessoas (como a anestesia ou mesmo a maior expectativa de vida atual), as humanidades e as artes não teriam a mesma noção de “progresso” (não se pode dizer que Michelangelo foi inferior ou sabia menos sobre a natureza humana do que Brancusi, digamos) e seriam mais especulativas.

A “terceira cultura” vem gerando ou reforçando diversos produtos, sobretudo livros de neurologistas e biólogos que tentam analisar o comportamento humano do ponto de vista evolucionista (com as descobertas feitas desde Darwin até o Projeto Genoma), nomes como Oliver Sacks, Richard Dawkins, Steven Pinker e António Damásio (que dedicou, entre outros, um livro ao pensamento de Spinoza). Até expressões como “instinto de arte” (“art instinct”) foram criadas para tentar explicar fisiologicamente nossa percepção do que é belo e expressivo. Estudos da linguagem também passaram a ser reivindicados cada vez mais por quem tem familiaridade com escaneamentos cerebrais do que com teorias semióticas e congêneres. É como se o empirismo pudesse tudo.

Méritos e deméritos à parte, o fato é que essa “invasão” da ciência em todos os campos pode dar contribuições muito importantes, mas nem sempre tão importantes quanto eles pensam e, atenção, a tendência é bem menos recente do que eles imaginam. Pense em Freud! Ao contrário da grande maioria dos psicanalistas que o seguiram nos últimos cem anos, doutor Sigmund era médico, um homem da clínica e do laboratório, e sonhava com tempos em que a tecnologia pudesse nos dar mais informações consistentes sobre o funcionamento cerebral. No entanto, é visto como alguém que só tratou da “mente” e não do órgão cerebral, como se não imaginasse que os pensamentos deixassem registro fisiológico.

E onde Freud foi buscar as diretrizes para suas teorias, além do que observava experimentalmente nos pacientes com distúrbios psicológicos a que atendia? Em dramaturgos como Sófocles e Shakespeare e em pensadores como Schopenhauer e Nietzsche. Ou seja, nas artes e humanidades. Em tais criações ele via “insights” geniais sobre o comportamento humano, sobre as contradições da psique, sobre os impulsos sexuais e os estados melancólicos. Para Freud, que comparou o surgimento da psicanálise ao heliocentrismo de Copérnico e ao evolucionismo de Darwin como transformadores da noção do que é o homem e seu lugar na natureza, os gênios das artes e da filosofia eram indispensáveis para a nova ciência. Na atual onda da terceira cultura, nem todos pensam assim. Por isso não pensam melhor.
(fonte: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/freud-e-a-terceira-cultura/)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Para ler, ver e ouvir

Sugestão de exercício de imaginação:
Leia o soneto  de Gregório de Matos e imagine uma melodia para ela. 
Depois assista ao video que tem a versão deste mesmo soneto musicada por José Miguel Wisnick e dançada pelo Grupo Corpo.
Curiosidade: em italiano sonetto significa pequena canção ou, literalmente, pequeno som.

MORTAL LOUCURA, de Gregório de Matos

Na oração, que desaterra … a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,
Pregue que a vida é emprestado … estado,
Mistérios mil que desenterra … enterra
.
Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.

Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura.

O voz zelosa, que dobrada … brada,
Já sei que a flor da formosura, … usura,
Será no fim dessa jornada … nada.


LINK para o video com a música e coreografia

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Charge Quino (4)

Charge Quino (3)

Charge Quino (2)

Quem é Quino

Quino, ou Joaquín Salvador Lavado, nasceu dia 17 de julho de 1932 na cidade de Mendoza (Argentina). Recebeu o apelido desde pequeno, para diferenciá-lo de seu tio Joaquín Tejón, pintor e desenhista publicitário com quem aos 3 anos descobriu sua vocação. Na década de 40, perde sua mãe e seu pai. Termina a escola primária e decide inscrever-se na Escola de Belas Artes de Mendoza, a qual abandonaria anos depois para dedicar-se a desenhar quadrinhos e humor.

Em 1954, instala-se precariamente em Buenos Aires e perambula pelas redações de todos os jornais e revistas em busca de emprego. A revista Esto Es publica sua primeira página de humor gráfico. Desde então e até o dia de hoje continuam sendo publicados ininterrupitamente seus desenhos humorísticos numa infinidade de jornais e revistas da América Latina e Europa. Em 1960 casa-se com Alicia Colombo. Não teve filhos. A lua de mel no Rio de Janeiro foi a primera saída da Argentina. 

Em 1963 lança seu primeiro livro de humor, Mundo Quino, uma recopilação de desenhos de humor gráfico mudos. Em 1964 aparece Mafalda pela primeira vez e a partir daí foram lançados vários livros na Argentina e no exterior. Viajou a vários países divulgando seu trabalho e recebeu diversos prêmios de nível internacional, entre eles o de desenhista do ano, em 1982. Atualmente publica seus desenhos na revista semanal do jornal Clarín.

Charge Quino (1)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Por que precisamos ser treinados para o tempo livre?

REVISTA ÉPOCA - Edição 2192 - 11.nov.11

Pesquisa mostra que a maioria das pessoas não sabe lidar com as horas ociosas. Saiba o que fazer para valorizar esses períodos

Francisco Alves Filho Ter tempo livre e não saber o que fazer com ele. Esse dilema pode parecer paradoxal numa sociedade tão acostumada a se queixar da falta de horas ociosas. Para muitas pessoas, no entanto, é isso o que acontece. Pesquisa de duas universidades americanas, a University of Cincinnati e a Baylor University, feita com 1.329 jovens concluiu que entrevistados com mais tempo livre se mostraram mais infelizes. A prática em consultório leva especialistas a lamentar que as pessoas não saibam como aproveitar os momentos sem a pressão do trabalho ou do estudo. Um deles, o psicanalista paulista Viktor Salis registrou esse fenômeno moderno no livro “As Orelhas do Rei Midas”. Segundo ele, essa é a causa de muitos casos de ansiedade e depressão que chegam ao seu consultório. O problema se agrava quando, mesmo com todo o tempo do mundo, os projetos pessoais não são tocados. “É comum os indivíduos gastarem suas horas livres com atividades secundárias, e isso gera muita frustração”, aponta o psicólogo paranaense Flávio Pereira. Nessas circunstâncias, o tempo ocioso, antes tão ansiado, vira fator de angústia.


O primeiro passo para aprender a usar o tempo livre é achar o equilíbrio entre estar muito ocupado e ter tempo de sobra. “Vivemos em uma sociedade em que o tempo é essencial e a percepção da falta dele está associada a níveis baixos de felicidade”, diz o relatório da pesquisa das universidades Cincinnati e Baylor. Os resultados do trabalho mostram que essas horas de sobra não são obrigatoriamente uma alavanca para o bem-estar. “Viver com quantidade equilibrada de tempo é o ideal.” Encontrar esse caminho não é nada fácil, e a cada dia surgem novos obstáculos. O professor de filosofia Eduardo Chaves, do Centro Universitário Salesiano, em São Paulo, diz que essa falta de habilidade em lidar com o tempo livre é muito comum. “Por isso, adolescentes em férias reclamam de tédio, apesar de antes terem contado os minutos até o fim das aulas”, exemplifica. O problema é mais grave quando acomete adultos, que elegem suas prioridades e não conseguem cumpri-las. Nesses casos, segundo Chaves, a solução se resume a uma palavra, vista por muitos como antipática: disciplina. “É preciso entender que disciplinar nossa rotina não é algo opressor, mas uma forma de exercer plenamente a liberdade”, afirma.

É o que falta à universitária carioca Ana Carolina Emellick, 20 anos. Até um mês atrás, ela tinha o dia completamente tomado e sonhava com o momento em que poderia se dedicar a seus interesses. Atualmente, mantém como único compromisso fixo a faculdade, apenas na parte da manhã, e não consegue tirar proveito das horas livres. “Num dia deixo de ir à academia porque fico mais do que deveria na internet, no outro não vou fazer compras porque dormi além da conta”, diz a jovem, que se confessa frustrada por não aproveitar o tempo como gostaria.

Férias e aposentadoria são dois gatilhos para a angústia que ataca quem não sabe mais viver fora da pressão. Como Roberto Guilheiro, 58 anos, que quase foi à loucura com a ociosidade depois de vender a loja de automóveis na qual trabalhou por 15 anos, na zona sul do Rio de Janeiro. “Tento ocupar meu tempo com entretenimento e lazer, mas fico achando que estou perdendo alguma coisa”, conta ele, que pensa em abrir um novo negócio para resolver a questão. Dona de um bufê, a chef Célia Pessoa é outra que não relaxa nas horas de folga. Nos fins de semana e feriados, mesmo quando não tem nenhum evento para organizar, não fica parada. “Nem lembro a última vez que passei muito tempo sentada, apenas refletindo”, diz ela. No último feriado, em vez de descansar, plantou mudas no jardim de sua varanda. Também é comum organizar reuniões em casa em que põe a mão na massa e cuida da comida. “Fui como convidada ao aniversário de um amigo e abandonei os conhecidos para me juntar ao pessoal da cozinha”, lembra. O professor Eduardo Chaves diz que é preciso dar valor ao ócio. “Até para voltar ao trabalho renovado, com mais energia.” O psicanalista Viktor Salis critica o fato de que o período de ócio tenha deixado de ser encarado como processo criador. “É nesse espaço que você constrói sua personalidade e reflete sobre o mundo”, ensina.

A tecnologia poderia ser um grande aliado na otimização dos dias livres, mas gera um efeito contrário. “Com os apelos dos tablets, smartphones e outros aparelhos, as pessoas tenderão nos próximos anos a ter ainda mais dificuldade para gastar seu tempo de maneira proveitosa”, acredita o psicólogo Flávio Pereira. Por via das dúvidas, ele próprio tomou suas providências para não cair na armadilha. “Tenho um novo smartphone cheio de recursos e já descartei vários aplicativos que poderiam me fazer perder tempo à toa.” Evitar ceder às tentações tecnológicas é uma providência fundamental para valorizar o próprio tempo.

  

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Jardins Suspensos da Babilônia

30 pessoas, 30kg de cal, 75 flores, 15 minutos e 1 documentário. Essa é a estrutura e o resultado da intervenção urbana temporária idealizada pelo artista plástico e fotógrafo Felipe Morozini, naquela que é considerada a obra mais feia de São Paulo, o Minhocão. Com o objetivo de alegrar a paisagem urbana, o “Jardim Suspenso da Babilônia” ganhou forma numa manhã de domingo – dia em que a via é reservada aos pedestres – e já se desfez sob as rodas dos carros e gotas de chuva. Mas o registro da ação feita por Jeorge Simas é permanente e irá participar de um festival de documentários em NY, dedicado a arte de rua.

Livro do Desassosego - Fernando Pessoa

A literatura, que é a arte casada com o pensamento, e a realização sem a mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o esforço humano, se fosse verdadeiramente humano, e não uma superfluidade do animal. Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror. Os campos são mais verdes no dizer-se do que no seu verdor. As flores, se forem descritas com frases que as definam no ar da imaginação, terão cores de uma permanência que a vida celular não permite.

Mover-se é viver, dizer-se é sobreviver. Não há nada de real na vida que o não seja porque se descreveu bem. Os críticos da casa pequena soem apontar que tal poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos pois que conservar o dia bom em uma memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira.

Tudo é o que somos, e tudo será, para os que nos seguirem na diversidade do tempo, conforme nós intensamente o houvermos imaginado, isto é, o houvermos, com a imaginação metida no corpo, verdadeiramente sido. Não creio que a história seja mais, em seu grande panorama desbotado, que um decurso de interpretações, um consenso confuso de testemunhos distraídos. O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo.

Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A arte da sombra

O escultor, artista plástico e designer japonês, Shigeo Fukuda, é um artista que transforma o impossível em algo plausível. Seus trabalhos ópticos não são apenas inusitados como também caracterizados pela provocação e inovação.
Fukuda criou há mais de trinta anos o seu estilo único e bem-humorado, com um poder visual impressionante. Dono de um exímio talento no uso de contradições visuais e combinações de objetos fora do vulgar, ele expressou com maestria o seu conceito de surrealismo.

Escada musical

Pode a música fazer as pessoas superarem o sedentarismo? Vejam esta experiência na Suécia.No começo ninguém usava a escada normal, sendo que cerca de 97% da população utilizava apenas a escada rolante. Então, um grupo de engenheiros realizou um novo projeto para motivar as pessoas a subirem de escada. Uma simples idéia que pode mudar uma vida, alegrar, divertir, motivando as pessoas a fazer exercícios sem mesmo notar.
Assista ao video aqui

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Comercial argentino

Quando eu viajo, eu gosto de conhecer um pouco da história local. Isso passa pela música, literatura e até mesmo comerciais de tv. O bom é que não precisamos mais ficar na frente da telinha. Basta conhecer alguém do local para que ele nos mostre no youtube alguns de seus "reclames" preferidos. Eu tive a sorte de conhecer a Diana Arroz quando estive em Buenos Aires ano passado. Muchas Gracias Marco!!!  Clique aqui para assistir.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

BIRTH DAY (2)

Coreografia de Jirí Kylián e música de Mozart.

Jirí Kylián (1947) nasceu em Praga, República Tcheca e começou a estudar dança aos nove anos na Escola de Ballet do Teatro Nacional de Praga. Em 1968, a convite de John Cranko passou a integrar o Sttutgart Ballet. Como coreógrafo convidado do Nederlands Dans Theater (NDT), em Haia, Holanda, criou em 1973, Viewers e posteriormente Stoolgame (1974), Return to a Stange Land (1974) e La Cathédrale Engloutie (1975). Em 1975 foi convidado para assumir a co-direção do NDT e três anos depois se tornou diretor artístico da companhia, cargo que ocupou até 1999. Seu estilo enérgico e rigoroso tem fundamento na técnica clássica revisitadas de maneira contemporânea. É um coreógrafo profundamente ligado às estruturas musicais que escolhe para trabalhar.